segunda-feira, 7 de março de 2011

Riscos no vazio.

Já se fascinou, aos 8 anos, sentiu frio na barriga, com a pipoca já gelada, os olhos parados, como se não houvesse a necessidade de piscá-los, para admirar trapezistas?
Eu sim.
São esses os seres mais cúmplices, para mim.
Assim funciona: existem dois tipos de trapezistas... os que seguram, ou seja, os aparadores... e os que saltam, volantes.
Precisa existir, entre eles, uma relação mútua de confiança, de fé, de atenção, de respeito pela vida. Um relacionamento muito especial.
Como pode imaginar, essa relação é importante, principalmente para o que salta, o que se lança.
Vem o balançar do trapézio... no mesmo ritmo... aparador e volante.
Num certo momento, o volante se lança, no nada, no vazio, e, a partir daí, seu trabalho é confiar, permanecer tranquilo e acreditar no olhar do aparador quando o balançar do trapézio se inicia. O do aparador, ter total atenção à vulnerabilidade momentânea do volante, respeitar e cumprir o olhar verdadeiro lançado no vai e vem do trapézio.
O Volante, então, espera pelas mãos fortes do aparador tocar seus braços, seguro de ter toda a atenção do companheiro, para agarra-lo com toda a força embutida no relacionamento tão importante para ambos.
O volante, conforme aprendizado, nunca deve tentar pegar as mãos do aparador, e sim esperar, confiar, ter fé e paciência. Afinal, ele está no vazio. Não há o que fazer. Apenas, confiar.
E aí começa nossa realidade, fora do picadeiro colorido e sem mais o som da buzina do palhaço que distribui algodão-doce.
A gente cresce... e tudo que acreditávamos, aos 8 anos, acaba se perdendo com atitudes insanas de pessoas que não têm para si a História dos Trapezistas.
Não conhecem a relação entre o aparador e o volante.
Não intuem que, ora serão aparadores, ora serão volantes.
Relacionamentos se baseiam em confiança, atenção e dedicação ... em termos almas de trapezistas. Em sermos sempre confiáveis. Em termos paciência com o próximo e conosco.
A falta de paciência, confiança, respeito e atenção, na maioria das vezes, são mais sentidas do que vistas.
E não sabemos mais esperar.
A atenção nem sempre é cumprida com o mesmo empenho com que fazemos conosco. Nos transformamos em aparadores egoístas e frios.
Não sabemos qual o real significado de cumplicidade, confiança e respeito.
A dedicação, podemos deixar para o dia seguinte, ou para o outro....
Existem aparadores que preferem viver todas as emoções possíveis, sem se preocuparem com o tipo de ferida, com a dedicação e atenção a serem dispensadas ao companheiro, com o momento único vivido pelo volante ao cair no picadeiro, em meio a um sonho de construir um belo espetáculo na vida, com o coração cheio de esperança.
O momento, para o volante, era único, era de fé e, para ele, verdadeiro.
Então o volante cai... e machuca...a alma.
Acaba aí a confiança.
Acaba a fé.
Esgota-se a cumplicidade.
Acaba o olhar.
E respeito não se reconstrói.
Acaba o sonho de um lindo espetáculo e de aplausos no final. Para o volante.
O Aparador permanece intacto, porém, se esquece que, a qualquer momento, no picadeiro da vida real, não tão colorida como todos os dias de circo, os papéis se invertem.
Afinal, somos todos trapezistas, ora volantes, ora aparadores.
Por Ste Vieira


"Em muitos momentos de nossas vidas, não sabemos se somos volantes ou aparadores, não sabemos o que o outro espera de nós... saltar ou ser aparado? E aí vem o conflito, se os dois saltam, se chocam, perdem a confiança, simplesmente por estarem fazendo o mesmo papel, ou precisando somente de um aparador pra saltar... 
Precisamos combinar os nossos momentos, sem ensaios técnicos, sem combinação prévia, simplesmente a conspiração do momento certo... e aí sim... encontramos nossos aparadores no nosso momento volante e aparamos em nosso momento aparador!
Com a dignidade de desempenharmos bem o papel do nosso momento, para não ferir e ser ferido...
O momento certo... qual será o meu papel neste momento???
Essa pergunta sim, é difícil de responder..."
Por Erika Andrade

"Estava aqui pensando no que disse em seu texto (Texto da Ste).. apenas pensando mesmo.. Que você, aqui, apenas leia, não é necessário nenhum "enquadramento".... Daí, pensei no sexo... E olha como um texto é sempre dado a diversas interpretações! Coisas que o próprio autor sequer imagina!
Esclareço: Imaginei-o comparado a uma relação sexual, seja lá qual for, e todas as suas possibilidades. Considero ser uma entrega gradativa, uma descoberta a dois... Onde o casal vem percebendo, dia a dia, aquilo que mais lhe satisfaz.. Observar aquilo que o parceiro/parceira mais gosta num momento de intimidade único.. a construção de uma cumplicidade, uma verdadeira entrega, assim como seu texto que também é baseado na confiança. Sinto falta disto até porque também defendo a ideia de que é muito mais gostoso conquistar várias e várias vezes a mesma mulher. Muito melhor... Não, não... nada de deixar o outro cair sozinho. Se for prá cair que se caia junto; e que se levante junto também, naturalmente.. algumas pessoas confundem a gente e fazem com que pensemos que um relacionamento é um conjunto unitário ou até mesmo um conjunto vazio, mas não é não. O espetáculo descrito por você,assim como uma relação, penso eu, é a dois. Pronto, taí, um relacionamento é FUNÇÃO! rs...Já que toda função é uma relação binária, de A em B. Onde todo elemento do conjunto A é ponto de partida com contrapartida em um único elemento de B. Tem risco no vazio não.. Basta adequar a flecha, a contrapartida.. O show tem que continuar.."
Por Autor Desconhecido

quarta-feira, 2 de março de 2011

Incertezas

"Não devemos ser permissivos com situações que desencadeiam um amor incompleto, uma amizade infeliz, enfim, um relacionamento infeliz.. Coorremos o risco de termos, conosco, esses sentimentos, doentes... mesmo que tenhamos, por índole, a persistência pelo que acreditamos, perceber que alguem nao é aquilo que enxergamos com o coração, dói, e fica faltando a peça chave... aquela do meio do quebra-cabeça!
Precisamos respeitar, no sentimento, o que combina, ou até o que não combina, mas nos faz bem. 

Com ou sem o outro.
Sonhos não são parâmetros. E se acha que perde tempo errando em um amor incerto, está errado.
Isso é maturidade, crescimento e conhecimento interno.
Ora, e o que há de ruim nisso? Sonhar é permitido sempre!"

By Stef Vieira


Complementando...
Qual ser humano tem o conhecimento sublime de julgar a incerteza de um amor? Se existe, este mesmo pode definir o que nesta vida se classificaria como uma perda de tempo.
Ora... sonhar não custa nada e viver o sonho só depende de nós!
By Érika Andrade

terça-feira, 1 de março de 2011

Reaprendendo a andar

Quando as coisas mais simples da vida se tornam as mais prazerosas, mais lindas e que nos fazem mais felizes é que sabemos o significado da palavra valor... me lembro que uma gase de água fazia da minha mãe a pessoa mais realizada do hospital, coisa que a vida toda ela pode fazer, que era beber água e que nunca teve tanta preciosidade quanto naqueles momentos... 
E andar... aaaaahhh andar que dádiva divina... e enxergar? 
Deus, obrigada por me dar 2 olhos, mesmo que com 5 graus de miopia, que me faça ver o quanto a vida é divina, ver o rosto dessas pessoas maravilhosas que me cercam, ver a cor e a beleza das coisas, simplesmente... ver!
À minha amiga Ste, que o seu reaprendizado seja maravilhoso e que a vida e esses acontecimentos a tornem mais maravilhosa do que já é...


Um Texto de Stef Vieira:
"Um desejo. Um desequilíbrio. Um choro. Um pé após o outro. Nem é tão complicado e nem é difícil. 
E é só colocar um pé após o outro. 
Dá para se ter em mente pequenas metas: primeiro a porta da casa que dá para a rua! 
Não sei muito bem, para ser honesta. 
Estou reaprendendo a andar. 
Depois da tempestade, do susto, do medo. Ah, a gente pode usar o que quiser, ninguém vai se importar muito.
Afinal, agora, é meta e já não é mais sombrio. 
Abriu-se uma porta. Pesada e complicada de se fechar. Se é que se fecha. Agora não dá tempo de contar como e o que aconteceu. 
E ainda não sei se andar equivale a lembrar, vencer, esquecer, e qual dessas coisas é o meu remédio. 
Se vim para lembrar, se vim para esquecer ou para me vacinar contra o mal causado, missão cumprida.
Dores não são fáceis de serem suportadas. Para vencer medos, não nos basta apenas coragem e vencer pesadelos não é somente acordar para um novo dia...
Mas já é o começo....
Talvez eu descubra. Talvez não. Talvez nunca seja possível desvendar, abrir o código, remover qualquer traço de dúvida existente.
Porém, vencer é para quem luta. Vencer é para quem reconhece o erro. Vencer é saber estar nos planos de Deus o seu sofrimento, e aceita-lo, com sabedoria.
Seja como for. É só colocar um pé após do outro. Dia após dia. Desilusão após lutas. Vitórias após cansaços.
Andar, desejar, sonhar, planejar, lutar, conquistar e sempre sorrir ... ainda que nem todos os dias a vontade nos conceda a mesma garra,
E, ainda que nos entremeios, haja algum percalço, a solução é ter paciência e persistencia.
Quanto ao que passou, ficará pra trás. Bem pra trás. E que tenhamos sabedoria para transformar lembranças ruins em ensinamentos eternos."

                                                                   Por ela...
FOTO NA TOTVS - JULHO DE 2009

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Oxigênio da Vida

Arthur Amorim dos Santos
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/morre-aos-9-anos-o-paleontologo-mirim-arthur-amorim-dos-santos.html

Me lembro exatamente do dia que vi a entrevista desse menino no Jô, tinha dormido no sofá pra variar e acordei justamente na hora da entrevista dele, quando peguei o controle pra desligar e olhei pro rosto daquela criança fiquei apavorada e comecei a prestar atenção... não preciso nem dizer que essa entrevista me custou umas boas 3 horas de sono.

Quem já se perguntou qual é o valor da vida?
Tão abstrato, tão individual... tão valioso
O valor da nossa própria vida parece fácil de identificar, mas quando vemos o valor da vida dos outros acabamos nos questionando sobre nossos próprios valores, não é?

Clichê ouvirmos: "O nosso problema é sempre maior do que o dos outros" ou "Tem sempre alguém com mais problemas do que nós".
Que contraditório não é?
São duas verdades, mas assistindo essa criança eu senti vergonha de achar que eu tinha problemas
Diante do amor e da esperança dos pais dessa criança eu senti vergonha de desacreditar na resolução dos meus problemas
Diante da admiração do Jô Soares por essa cirança eu senti vergonha por achar que não conseguirei alcançar meus objetivos e realizar meus sonhos... O sonho dessa criança era ir no Jô...
Existem coisas que achamos que nunca vão acontecer conosco e nem com alguém próximo e quando passamos por essas coisas acabamos ficando sem chão, por nos acharmos superiores a certo tipo de situações, coisas estas que não escolhem sexo, idade, cor ou faixa salarial, coisas essas que acontecem simplesmente porque foram traçadas a acontecer, porque é necessário pra um aprendizado mais duro, pra nossa evolução espiritual, que seja... acontecem... porque acontecem...
Este final de janeiro foi uma época bastante reflexiva pra mim neste sentido, primeiro saber que uma pessoa especial correu um sério risco de vida e isso me faz pensar que talvez eu nem tivesse tido tempo de dizer o quanto ela querida e especial, faz pensar que o valor das pessoas está agora no presente e não na sua falta, me faz ter vontade de beijar e abraçar todo mundo que eu gosto até os que não tenho contato há anos, depois viver na angústia da espera de notícias de uma pessoa querida desaparecida, isso é surreal, não tenho muito o que dizer pois estou vivendo isso neste momento e eu realmente não acho palavras pra descrever essa angústia, e agora saber da morte do Arthur, por mais que esse menino não seja nada meu, de uma forma eu plantei uma sementinha com o nome dele no meu coração e ela era regada automaticamente quando eu pedia a Deus que todas as pessoas do meu jardim fossem regados de saúde, força, paz e muito amor.
Essa perda dá uma sensação estranha, parece que depositamos as nossas esperanças, na esperança dos outros e ele não conseguiu vencer aquela doença, sabemos que por um motivo divino, mas nos faz perder um pouco de força também e temos que buscar essa força em outro repositório.
Não vou escrever muito dessa vez, mas deixo o tema valores da vida pra discutirmos e refletirmos...
Ás vezes acho que faço menos pelos outros do que poderia fazer.

AMOR E PAZ
" Precisamos conjugar o verbo Ver, dividir o verbo Ter e assumir o verbo Ser. Aí, perceberemos que os milagres nos rodeiam e acontecem a cada instante..."


Foto de Stef Vieira

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Anjo

Existem pessoas que não gostam de cães... Estas com certeza nunca tiveram em sua vida um amigo de 4 patas ou se tiveram, nunca olharam dentro daqueles olhos para perceber quem estava ali.
Um cão é um anjo que vem ao mundo ensinar amor... Quem mais pode dar amor incondicional, amizade sem pedir nada em troca, afeição sem esperar retorno, proteção sem ganhar nada, fidelidade 24 HORAS por dia?
Um cão não se afasta, mesmo quando você o agride... Ele retorna cabisbaixo pedindo desculpas por algo que talvez não fez, lambendo suas mãos e suplicando perdão.
Alguns anjos não possuem asas, possuem 4 patas, 1 corpo peludo, nariz de bolinha, orelhas de atenção, olhar de aflição e carência... Apesar dessa aparência, são tão anjos quanto os outros (aqueles com asas) e se dedicam aos seres humanos tanto quanto qualquer anjo costuma se dedicar.
Deus quando nos fez humanos, sabia que precisaríamos de guardiões que nos tirasse do corpo as aflições dos sentidos, e nos permitissem sobreviver a cada dia com quase nada além do olhar e da lambida de um cão...
Que bom seria se todos os humanos pudessem ver a humanidade perfeita de um cão... Melhor ainda seria se fossem tão fiéis e amigos como eles são...

Por Renata Pimenta


Por Stefania Vieira

Pessoas e Objetos

Engraçado... não consegui pensar em outra palavra que pudesse começar esse texto... estranho? não... bem comum por sinal.
Ontem fiquei pensando sobre as pessoas e os objetos, pensando em como é nosso jogo de afeição e pessoalidade.

Quando comprei meu violão minha professora perguntou: - Ele já tem nome?
Nunca tinha pensado em dar um nome pra um violão, que coisa estranha né? Na hora veio... hum... Chico... ele vai se chamar Chico e assim o Chico mudou de figura.
Na minha cabeça, quando damos nome a uma coisa/animal/pessoa, ela se torna "pessoal" e se eu tinha que dar um nome pra ele eu não o trataria mais como "o violão" e se a coisa tem nome, eu posso tratar com pessoalidade e "até" conversar... rs maluquice?

Pensemos...
"Um cachorro"... se nossos cachorros não tivessem nomes, chamaríamos de... "cachorro" e será que trasferiríamos tanto afeto assim por eles?
"- Cachorro não morde o sofá / Cachorro vem aqui / Cachorro sai pra lá"
Estranho né? Não senti nenhuma emoção nisso... agora com nomes eles se tornam família, amor, companheiros...

Pensemos pelo outro lado...
Você sabe o nome do ascensorista do elevador do prédio que você trabalha? Sabe o nome da garçonete do restaurante que você almoça? Sabe o nome da atendente do salão de beleza?
Provavelmente, a grande maioria não né?
Então tratamos como "o cara do elevador", "a moça do restaurante" e "a menina do salão". Impessoal né? Poderiam até ter a descrição de objetos para nós, por mais que saibamos que não são, que têm família, que amam, que são amados...

Mas o que isso tudo tem a ver com o Chico?
Seguindo a história, depois que ele ganhou um nome ele era o MEU Chico, eu converso com ele quando não consigo fazer o acorde certo, eu apresento ele às pessoas eu o trato como uma pessoa... mas o engraçado foi quando a pessoa que me fez dar um nome a ele, acha bonitinha e diferente minha atitude de conversar com o chico, me preocupar porque vão lixar a pestana dele pra ficar mais baixa e assim mais fácil de eu aprender, claro gente, sei lá o que vão fazer com o Chico lá? Vão desmontar ele praticamente pra fazer isso, será que vão colocar no lugar certinho? Será que vão jogar ele lá sem cuidado nenhum?

E isso me fez sair de lá pensando nesse texto, de como transferimos afeto e preocupação nas mais diversas coisas nessa vida, de como tratamos algumas pessoas como objetos e alguns objetos e animais como pessoas, na verdade dessas duas relações somente a primeira está errada, porém vemos isso acontecer em grande escala e classificamos a situação, muitas vezes, até como normal (aceito pela sociedade).

Assunto devidamente refletido, hoje só sei que tenho 3 amores na minha vida:
Lucas (meu afilhado)
Caê (meu cachorro)
Chico (meu violão)

Bom, agora pretendo comprar um skate, será que ele deve ganhar um nome? rs

Com esse texto me deu vontade de voltar a escrever, mas ainda continuo na mesma da falta de tempo, etc.
Vou tentar expor minhas reflexões com mais frequência novamente no meu blog, se tiverem reflexões interessantes que tal postarmos também pra uma possível discussão?

Espero que tenham gostado dessa e vamos tentar tratar menos as pessoas ao nosso redor como simples objetos, e os objetos? ahhhh sai colocando o nome em tudo e você vai ver que é bemmmm mais legal!