quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Oxigênio da Vida

Arthur Amorim dos Santos
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/morre-aos-9-anos-o-paleontologo-mirim-arthur-amorim-dos-santos.html

Me lembro exatamente do dia que vi a entrevista desse menino no Jô, tinha dormido no sofá pra variar e acordei justamente na hora da entrevista dele, quando peguei o controle pra desligar e olhei pro rosto daquela criança fiquei apavorada e comecei a prestar atenção... não preciso nem dizer que essa entrevista me custou umas boas 3 horas de sono.

Quem já se perguntou qual é o valor da vida?
Tão abstrato, tão individual... tão valioso
O valor da nossa própria vida parece fácil de identificar, mas quando vemos o valor da vida dos outros acabamos nos questionando sobre nossos próprios valores, não é?

Clichê ouvirmos: "O nosso problema é sempre maior do que o dos outros" ou "Tem sempre alguém com mais problemas do que nós".
Que contraditório não é?
São duas verdades, mas assistindo essa criança eu senti vergonha de achar que eu tinha problemas
Diante do amor e da esperança dos pais dessa criança eu senti vergonha de desacreditar na resolução dos meus problemas
Diante da admiração do Jô Soares por essa cirança eu senti vergonha por achar que não conseguirei alcançar meus objetivos e realizar meus sonhos... O sonho dessa criança era ir no Jô...
Existem coisas que achamos que nunca vão acontecer conosco e nem com alguém próximo e quando passamos por essas coisas acabamos ficando sem chão, por nos acharmos superiores a certo tipo de situações, coisas estas que não escolhem sexo, idade, cor ou faixa salarial, coisas essas que acontecem simplesmente porque foram traçadas a acontecer, porque é necessário pra um aprendizado mais duro, pra nossa evolução espiritual, que seja... acontecem... porque acontecem...
Este final de janeiro foi uma época bastante reflexiva pra mim neste sentido, primeiro saber que uma pessoa especial correu um sério risco de vida e isso me faz pensar que talvez eu nem tivesse tido tempo de dizer o quanto ela querida e especial, faz pensar que o valor das pessoas está agora no presente e não na sua falta, me faz ter vontade de beijar e abraçar todo mundo que eu gosto até os que não tenho contato há anos, depois viver na angústia da espera de notícias de uma pessoa querida desaparecida, isso é surreal, não tenho muito o que dizer pois estou vivendo isso neste momento e eu realmente não acho palavras pra descrever essa angústia, e agora saber da morte do Arthur, por mais que esse menino não seja nada meu, de uma forma eu plantei uma sementinha com o nome dele no meu coração e ela era regada automaticamente quando eu pedia a Deus que todas as pessoas do meu jardim fossem regados de saúde, força, paz e muito amor.
Essa perda dá uma sensação estranha, parece que depositamos as nossas esperanças, na esperança dos outros e ele não conseguiu vencer aquela doença, sabemos que por um motivo divino, mas nos faz perder um pouco de força também e temos que buscar essa força em outro repositório.
Não vou escrever muito dessa vez, mas deixo o tema valores da vida pra discutirmos e refletirmos...
Ás vezes acho que faço menos pelos outros do que poderia fazer.

AMOR E PAZ
" Precisamos conjugar o verbo Ver, dividir o verbo Ter e assumir o verbo Ser. Aí, perceberemos que os milagres nos rodeiam e acontecem a cada instante..."


Foto de Stef Vieira

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Anjo

Existem pessoas que não gostam de cães... Estas com certeza nunca tiveram em sua vida um amigo de 4 patas ou se tiveram, nunca olharam dentro daqueles olhos para perceber quem estava ali.
Um cão é um anjo que vem ao mundo ensinar amor... Quem mais pode dar amor incondicional, amizade sem pedir nada em troca, afeição sem esperar retorno, proteção sem ganhar nada, fidelidade 24 HORAS por dia?
Um cão não se afasta, mesmo quando você o agride... Ele retorna cabisbaixo pedindo desculpas por algo que talvez não fez, lambendo suas mãos e suplicando perdão.
Alguns anjos não possuem asas, possuem 4 patas, 1 corpo peludo, nariz de bolinha, orelhas de atenção, olhar de aflição e carência... Apesar dessa aparência, são tão anjos quanto os outros (aqueles com asas) e se dedicam aos seres humanos tanto quanto qualquer anjo costuma se dedicar.
Deus quando nos fez humanos, sabia que precisaríamos de guardiões que nos tirasse do corpo as aflições dos sentidos, e nos permitissem sobreviver a cada dia com quase nada além do olhar e da lambida de um cão...
Que bom seria se todos os humanos pudessem ver a humanidade perfeita de um cão... Melhor ainda seria se fossem tão fiéis e amigos como eles são...

Por Renata Pimenta


Por Stefania Vieira

Pessoas e Objetos

Engraçado... não consegui pensar em outra palavra que pudesse começar esse texto... estranho? não... bem comum por sinal.
Ontem fiquei pensando sobre as pessoas e os objetos, pensando em como é nosso jogo de afeição e pessoalidade.

Quando comprei meu violão minha professora perguntou: - Ele já tem nome?
Nunca tinha pensado em dar um nome pra um violão, que coisa estranha né? Na hora veio... hum... Chico... ele vai se chamar Chico e assim o Chico mudou de figura.
Na minha cabeça, quando damos nome a uma coisa/animal/pessoa, ela se torna "pessoal" e se eu tinha que dar um nome pra ele eu não o trataria mais como "o violão" e se a coisa tem nome, eu posso tratar com pessoalidade e "até" conversar... rs maluquice?

Pensemos...
"Um cachorro"... se nossos cachorros não tivessem nomes, chamaríamos de... "cachorro" e será que trasferiríamos tanto afeto assim por eles?
"- Cachorro não morde o sofá / Cachorro vem aqui / Cachorro sai pra lá"
Estranho né? Não senti nenhuma emoção nisso... agora com nomes eles se tornam família, amor, companheiros...

Pensemos pelo outro lado...
Você sabe o nome do ascensorista do elevador do prédio que você trabalha? Sabe o nome da garçonete do restaurante que você almoça? Sabe o nome da atendente do salão de beleza?
Provavelmente, a grande maioria não né?
Então tratamos como "o cara do elevador", "a moça do restaurante" e "a menina do salão". Impessoal né? Poderiam até ter a descrição de objetos para nós, por mais que saibamos que não são, que têm família, que amam, que são amados...

Mas o que isso tudo tem a ver com o Chico?
Seguindo a história, depois que ele ganhou um nome ele era o MEU Chico, eu converso com ele quando não consigo fazer o acorde certo, eu apresento ele às pessoas eu o trato como uma pessoa... mas o engraçado foi quando a pessoa que me fez dar um nome a ele, acha bonitinha e diferente minha atitude de conversar com o chico, me preocupar porque vão lixar a pestana dele pra ficar mais baixa e assim mais fácil de eu aprender, claro gente, sei lá o que vão fazer com o Chico lá? Vão desmontar ele praticamente pra fazer isso, será que vão colocar no lugar certinho? Será que vão jogar ele lá sem cuidado nenhum?

E isso me fez sair de lá pensando nesse texto, de como transferimos afeto e preocupação nas mais diversas coisas nessa vida, de como tratamos algumas pessoas como objetos e alguns objetos e animais como pessoas, na verdade dessas duas relações somente a primeira está errada, porém vemos isso acontecer em grande escala e classificamos a situação, muitas vezes, até como normal (aceito pela sociedade).

Assunto devidamente refletido, hoje só sei que tenho 3 amores na minha vida:
Lucas (meu afilhado)
Caê (meu cachorro)
Chico (meu violão)

Bom, agora pretendo comprar um skate, será que ele deve ganhar um nome? rs

Com esse texto me deu vontade de voltar a escrever, mas ainda continuo na mesma da falta de tempo, etc.
Vou tentar expor minhas reflexões com mais frequência novamente no meu blog, se tiverem reflexões interessantes que tal postarmos também pra uma possível discussão?

Espero que tenham gostado dessa e vamos tentar tratar menos as pessoas ao nosso redor como simples objetos, e os objetos? ahhhh sai colocando o nome em tudo e você vai ver que é bemmmm mais legal!